quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A ESPANHA A SUBIR... PORTUGAL A DEFINHAR *

* Dados retirados do jornal “ABC”, de 6 de Junho de 2008
11/08/08

Escrevemos, há umas semanas, um papiro sobre os sempre recentes reforços em material bélico que os nosos queridos “hermanos” têm feito relativamente às suas FAs.

A justificação oficial (deles), aduzida para tal reforço é a da sua participação nas operações de Paz e Humanitárias, tão em voga desde que a Guerra Fria passou à História. Ora como tal justificação nos parece curta para tão grande arsenal, vamos tentar dilucidar outras razões mais consentaneas com a realidade.

Comecemos por passar a retina pelas principais operações acima referidas, em que os sucessores dos antigos Terços Espanhois estão empenhados (1): Libano (desde 2007), com 1181 homens e um navio tipo corveta; Afeganistão (2002), 745 H e um destacamento de apoio no Kirziguistão de 52 H; Kosovo (1999), 621 H; Bósnia –Herzegovina (1992), 323 H; Chade (2008),90 H. Está em estudo o envio de um ou dois navios de guerra para as àguas da Somália, afim de combater a pirataria. No total somam 3012 militares o que ultrapassa o máximo de 3000 imposto pela Lei de Defesa Nacional, aprovada pelo governo socialista.

Julga-se pois, que para manter estes compromissos não é preciso tamanho potencial. Mas pode servir para outras coisas.

Com o reforço que está em marcha, embora nem tudo esteja ainda operacional, as forças espanholas ficam habilitadas a operar, simultaneamente, em dois oceanos/mares com duas poderosas forças tarefas (task force), aero-navais com base em dois porta aviões. Ou seja sem sair da defesa próxima do seu território –embora as força-tarefa estejam concebidas para a progecção de Poder longe do território -, podem operar no Atlântico Central e Mediterrâneo.
E cabe aqui recordar que o “Espaço Estratégico de Interesse Nacional”, espanhol se estende até aos Açores; o Arquipélago das Canárias sempre funcionou como base avançada das navegações para Ocidente e Sul e está muito perto da ZEE portuguesa (Madeira) e que ainda existe um contencioso não completamente sanado por causa das Ilhas Selvagens.

Este poderio militar pode ser empregue de vários modos na América Central e do Sul em apoio e defesa da “Hispanidad”. Serve para mostrar a bandeira; evacuar nacionais ou conter alguma fogosidade de lideres como Hugo Chavez...

A aposta espanhola nas américas é sobretudo cultural e económica (logo politica, também), a que não é estranho o desejo de promover o castelhano à segunda lingua mais falada no universo e a concorrer com os EUA no seu “quintal das traseiras”.

A Espanha já participa na exploração da Antártida e é natural que faça acordos de colaboração nomeadamente com o Chile e a Argentina (nós deviamos tentar o mesmo com o Brasil, mas enfim, no actual estádio da politica caseira era pedir muito...).

É natural que as afinidades culturais e históricas empurrem a Espanha para o continente americano, mas o mesmo não se pode dizer de Àfrica. Mas Àfrica é um espaço onde os falantes da lingua de Cervantes estão a apostar cada vez mais e nomeadamente nos Palops (à atenção da CPLP). Portugal,dorme,dorme...

Gibraltar é um espinho cravado na Moncloa. É evidente que o poderio militar serve para apoiar qualquer solução que se tente para o futuro do “Rochedo”.

Não pretenderão, certamente, transformar o Mediterrâneo num lago espanhol, mas não andará longe a ideia de terem uma presença forte e incontornável. Em primeiro lugar para manter em respeito os países do Norte de Àfrica e impedir qualquer veleidade sobre Ceuta e Mellila; depois e no minimo, hão-de querer estar em pé de igualdade com a França e a Itália, agora que os EUA retiraram a 6.ª esquadra e a Royal Navy mantém apenas uma presença simbólica.

A Espanha procura também reforçar a sua presença e peso na NATO e em todos os “fora” em que participa e é agressiva em querer ocupar vazios. Portugal que se cuide com a sua ZEE e com a evolução que, sobre este assunto – e a criação de uma Guarda Costeira do Báltico ao Egeu -, possa decorrer do mal amanhado tratado europeu que, para nossa desgraça, ostenta o nome de Lisboa.

Mas a Espanha reforça o seu músculo militar, estamos em crer, também por razões internas, por causa das autonomias e da possivel desagregação politica do reino. É que as FAs são nacionais, espanholas, veneram o Rei e actuam sempre em nome da Espanha. E o seu prestigio e o que contribuirem para a afirmação da Espanha como tal e no mundo, desvaloriza as tendências centrifugas em várias regiões do seu território.

O mesmo se passa, por ex, no desporto: já repararam que sem se perceber bem como os espanhois passaram a ganhar tudo, desde o ténis ao futebol passando pelo automobilismo, basket,etc? E nós já nem no hóquei em patins os vencemos...

A Espanha sempre representou em território e população, quatro a cinco vezes o Portugal europeu. Apesar desta desproporção sempre nos fomos aguentando. Convém equilibrar a balança com mais valias e dissuasão miníma credivel, que sirvam de seguro de vida.

Estamos a ficar, vá lá, mal comparados uma espécie de Rússia e Georgia.

Será que os “porreiraços” que nos têm governado, não dão conta de nada?

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