quinta-feira, 9 de setembro de 2010

D. NUNO ÁLVARES PEREIRA: UM PORTUGUÊS DE EXCEPÇÃO

24/02/09

Frei Nuno recebeu o embaixador de Castela, em sua cela, amortalhado no hàbito.
- “Nunca mais despireis essa mortalha?” perguntou-lhe o castelhano.
- “Só se el-rei de Castela outra vez movesse guerra a Portugal...” erguendo-se:
- “Em tal caso enquanto não estiver sepultado, servirei ao mesmo tempo a religião que professo e a terra que me deu o ser”.
Por baixo do escapulário tinha o arnez vestido.
O castelhano curvando a cabeça, saiu.

Finalmente, ao fim de uma espera de séculos, a canonização do Beato Nuno de Santa Maria está marcada:será no dia 26 de Abril e terá como companheiros quatro cidadãos da peninsula Itálica.

Este reconhecimento da Igreja deve ser considerado com grande júbilo pela nação dos portugueses. As comemorações devem ter realce identico. Não vai ser fácil, todavia, que tal venha a acontecer, mas já lá iremos.

De facto a figura e a acção do Condestável é absolutamente singular na História de Portugal e, a ele, mais do que a qualquer outro, devem os portugueses o facto de continuarem a ser livres e independentes.

Não vamos percorrer a vida do grande vencedor de Aljubarrota – fasto luminoso das nossas glórias militares – nem os seus actos do dia a dia, que são referencias incontornáveis de moralidade pública, virtudes humanas e devoção cristã, que balizaram a vida do heroi e santo, mas tão só afirmar dois notabilíssimos factos: ser Nuno Álvares o nosso único chefe militar que nunca perdeu uma batalha ou um simples combate (e pelejou muito!); e sendo já numa altura madura do seu peregrinar pela terra, um dos homens mais ricos do Reino – senão o mais rico – se ter despojado de tudo, distribuindo os seus bens pelos familiares, amigos, companheiros de armas e ordens religiosas.

Queria apenas passar a viver de esmolas e foi preciso uma ordem real para impedir que tal viesse a suceder.

Não existe outro exemplo em toda a gesta nacional, desde que Afonso Henriques individualizou o Condado Portucalense, que se lhe possa igualar. Como, possivelmente, não haverá no mundo inteiro.

É, pois, diante desta figura gigantesca de carácter, competência, humildade e Fé, que os portugueses se devem curvar e em cujo exemplo deveriam meditar.

Ora os portugueses deste início do século XXI desconhecem e ignoram, na sua maioria – com os poderes públicos à cabeça – o ganhador dos Atoleiros, de Trancoso e Valverde, o grande comandante que nunca vacilou nos transes mais dolorosos e incertos.

É este, então, o momento ideal para arrepiarmos caminho e dar graças à Providencia Divina pelo facto do Santo Condestável ser um dos nossos e lembrarmos aos nossos filhos e netos que nunca o deverão esquecer. Porém, não se pode amar o que se desconhece.

Numa época em que os nossos brios patrióticos tão necessitados estão de alimento que os retirem da soturna decadencia em que sucessivas opções de estouvado e ignaro mau senso, os colocaram, surge esta luminosa oportunidade de retemperar a alma dos bons portugueses. Será um crime de lesa Pátria, desperdiçá-la!

Deste modo julgamos que se deve actuar rapidamente em três ambitos: o religioso, o militar e o cívico.

É por demais evidente que a cerimónia de canonização deve ser seguida pelo país inteiro – não há aqui azo a divisionismos – e não se deve esgotar na cerimónia em Roma a qual deve ter a presença de muitos portugueses e de bandeiras de Portugal. É preciso mobilizar o maior número de pessoas a deslocarem-se ao Vaticano.

A imagem de Nuno de Santa Maria (o nosso décimo primeiro santo), deve ser transportada em avião da Força Aérea ou da TAP, para Lisboa e ser escoltada por aviões de combate assim que entrar no espaço aéreo nacional – as asas dos aviões da FA ostentam a cruz de Cristo, ela não está lá por acaso.

No aeroporto a imagem deverá receber honras militares e ser levada para o Convento do Carmo – a sua última morada – e ficar à guarda de forças da GNR. O percurso deverá ter alas de militares.

Em data próxima realizar-se-á um “Te Deum” nos Jerónimos em honra do novo santo, com a presença de todas as irmandades e institutos religiosos. No dia seguinte a imagem deverá seguir para S. Margarida, passando pela Escola Prática de Infantaria –arma de que D. Nuno é o patrono.

Em S. Margarida, na unidade herdeira das tradições da 3.ª Divisão de Infantaria – a Divisão N’Àlvares – será feita uma velada de armas à maneira medieval, para seguidamente se prestar as honras militares na Batalha antecedidas pela passagem nos campos de S. Jorge. Em todos os itenerários o povo e todas as autoridades devem sair às ruas para aclamar tão distinto e valoroso antepassado.

Em frente à sua estátua equestre na vila da Batalha serão prestadas honras militares pelo maior contingente de tropas apeadas que se possa reunir a que se seguirá missa solene militar, com a presença dos estandartes de todas as unidades militares, no mosteiro de Santa Maria da Vitória. O corpo diplomático deve ser convidado a assistir.

As cerimónias deslocar-se-ão, então, para o concelho da terra natal de D. Nuno, Cernache do Bonjardim, cujas forças vivas já se preparam para a justa homenagem.

Em simultâneo deverão realizar-se palestras, homilias, conferências, colóquios, etc, em todas as paróquias, unidades militares (incluindo as destacadas), escolas e instituições de cultura e patrióticas um pouco por todo o país. Tais comemorações deverão inspirar o aparecimento de obras de arte, literatura, medalha, emissão filatélica, etc, alusivas ao evento.

É urgente reaporteguesar Portugal.

Para tudo se levar a bom termo, deverá ser constituído um grupo director e coordenador que não pode dispensar o alto patrocinio do Presidente da República (e deverá até ser liderado pela presidencia). Aos eventos devem ser agregadas o maior número de instituições representativas da sociedade.

Infelizmente haverá que contar com a acção de forças antinacionais que tudo farão para menorizar tão importante acontecimento. Há que as enfrentar com serenidade, determinação e firmeza. Como D. Nuno nos ensinou.

Que o grande Fronteiro Mor do Além-Tejo, Condestável de Portugal, alma pura e bela, agora Santo Nuno, continue a interceder pela terra de Santa Maria.

Acreditem que bem precisamos.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AS PROVOCAÇÕES DA “TRANSUMÂNCIA” SEXUAL

16/01/1010

Casamentos de Santo António em 2010,
onde os gays também querem entrar
Mandaria o bom senso, quando não a inteligência táctica, que após a “vitória” obtida na votação da Assembleia da República sobre a lei dos casamentos sobre extravagâncias sexuais – verdadeiro lixo legislativo que condiz com o desprestigio da câmara maior da Democracia – os adeptos de tão peculiar iniciativa, serenassem e preparassem as hostes para o que viesse a seguir. Sim, porque ou nos enganamos muito ou as coisas não vão ficar por aqui.

Mas não, a rapaziada e raparigada (teremos que inventar um termo único?), fãs de Sodoma e Gomorra, está com o freio nos dentes, qual égua brava, esporeada!

Querem lugar no altar do S. António, o que algum espontâneo mais excitado, da Câmara de Lisboa, veio logo babar que esta concordava.

Mas bastou a hierarquia da Igreja, dar um ar da sua graça (ainda não passou disso), ou alguém por eles, para logo o autarca mor passar um atestado de incompetência aos seus serviços, dizendo que não senhor, tratou-se de um equívoco e que não estava nos planos de S. Exª mudar seja o que for.

Esta gente toma o português por estúpido…

Bom, uma coisa aparenta estar demonstrada: os fãs da coisa querem provocação, eles querem ferir, querem confrontação.

Querem, enfim, o Inferno, já que, por definição não podem querer o Céu.

No fundo querem tudo. Pode ser que acabem sem nada.

Andam a esticar a corda, certamente para avaliarem das reacções.

Os próximos capítulos são fáceis de adivinhar: estando a lei, maquiavelicamente armadilhada para fazer face a eventuais reacções menos próximas dos seus desígnios – é incrível com esta gente tem tempo para arquitectar tanta intriga e malandrice – logo se seguirá uma batalha nos “media” e na política, sobre a adopção.

Manter-se-á a seguir uma verdadeira indústria comercial à volta das novas oportunidades de negócio que o novo desbragamento moral augura.

Aliás, raramente se vê os negócios preterirem aos Princípios.

Depois teremos um reforço das marchas de orgulho gay, para comemorarem “as conquistas”, com cada vez mais cenas explícitas; aumentarão em seguida, os lobies, surgirão profissões, organizações e locais em que quem não seja do “clube” não entra.

Dar-se-á início a provas de força: aceitação explícita e oficial da “gayzada” nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança,por ex., com consequências imprevisíveis.

O futuro vai ainda proporcionar-nos cenas de mais puro e surreal folclore, como vão ser, os casamentos dos ditos cujos, seguido dos divórcios dos cujos ditos; desfiles de moda para os bibi e as babás, mais os bibá e as bábi; a exigência de sanitários próprios para esta fauna individualizada e tudo o resto que se lembrarem de exigir. Claro está que acompanhado de ampla cobertura mediática.

Isto não tem nada a ver com justiça social nem defesa da dignidade humana: tem a ver com a substituição de excessos de repressão secular homofóbica com a criação de um novo racismo muito peculiar.

Creio bem que só ficarão satisfeitos quando transformarem o país num imenso bordel.

Mas o que se há-de fazer, perguntarão muitos leitores, se é tudo… democrático?

O CASAMENTO E OS HILGAS 1

26/12/09
1 Vítimas da transumância sexual…

Cartaz publicitário pago com dinheiro públicos
da CML defendendo a homossexualidade
Sejamos claros: nem tudo é tolerável nem tem de ser tolerável.
Transformar a tolerância como virtude, em fraqueza a aproveitar pelos “espertos”, além de ser uma falácia e uma injustiça, abre portas a perigos insuspeitos.

Nem todas as opiniões são respeitáveis, outra falácia adrede expendida… sobretudo as que violam as mais elementares base da Moral e, ou, do direito. Bem como as que são, simplesmente, insensatas.

A insistência em afirmar que somos todos iguais é outra cretinice que virou política e socialmente correcta. Nós somos, pelo contrário, todos diferentes. E os homens, como tal, também são diferentes das mulheres. O que todos devem ter é oportunidades e condições idênticas, mas isso prende-se com princípios de humanidade e de justiça relativa que se buscam desde o início dos tempos...

Há centenas de milhões de anos que na terra existem seres vivos, vegetais e animais, os mais diversos. Eles existem porque têm a capacidade de se reproduzir, através da existência de um elemento feminino e outro masculino e a natureza é tão perfeita que concebeu “sistemas” de atracção entre os géneros que garantissem a interacção reprodutiva.

A homossexualidade humana – inexistente em 99% das espécies é, a esta luz, um desvio genético, uma doença. E uma doença terminal, já que se, por absurdo, todos virássemos “gays” a espécie humana acabava…

Espalhando-se os homens pela terra, apesar das diferenças que sempre existiram de raça, cultura, crenças religiosas, etc., sempre estes viveram em grupo, criando sociedades mais ou menos complexas. Na sua espectacular diversidade, porém, a humanidade criou uma “célula” comum a toda ela: a família.

Esta forma-se, inicialmente, pela união de um homem e uma mulher, que considerações de ordem política, social e, ou, de afectos, uniram, a fim de partilharem o restante das suas vidas, protegerem-se e auxiliarem-se mutuamente e… terem filhos, perpetuando a espécie e a continuidade da família.

Da ligação dos cônjuges e dos seus descendentes passa a estabelecer-se uma rede mais ou menos complicada de laços familiares. A família passa a ser, deste modo, a estrutura mais elementar, sem embargo, mais fundamental da estabilidade de um grupo/tribo/nação/federação/estado, etc.

À figura que consubstanciou em termos jurídico/legais e sociais a existência de uma família, chamou-se casamento. E também isto a nível mundial, quer na sua fórmula exclusivamente civil ou acompanhada de um preceito religioso.

Ora é este “status quo”, que o presente projecto de casamento entre pessoas do mesmo sexo quer pôr em causa. Isto é, querem transpôr uma aberração genético/comportamental, para o edifício legal.

Em nome de quê? Pois caros leitores, em nome da igualdade de direitos. Ora a mim parece-me que não se deve dar direitos idênticos a coisas diferentes. Tão pouco passar vícios privados a públicas virtudes!

Ver dois tipos a beijarem-se na boca na rua mete-me nojo; se forem duas miúdas, talvez me excite. Certamente por ser macho. Mas eu não tenho nada que me enojar ou excitar em público. Por isso os vícios pessoais devem ter o recato adequado, não o folclore das marchas de orgulho gay… Orgulho em quê? De quê? Sobre quê?

Não podem casar? Azar, se tivessem os pés chatos também não podiam ir à tropa! Não se pretende discriminá-los. Eles é que se estão a auto descriminar.

Legislar sobre uma coisa que a própria natureza tornou repulsiva parece ser um desconchavo que só um relativismo moral doentio justifica. Infelizmente a comunicação social por razões várias, tudo têm feito por banalizar a discussão do tema para o tornar “normal” e habitual…

Fá-lo a qualquer hora, por qualquer meio e vai ao ponto de mostrar cenas semi-explícitas. Ao mesmo tempo vão condicionando, ardilosamente, a expressão pública de quem não concorda com o desaforo. Um dia destes ainda vamos ter que pedir desculpa por não pertencermos ao “clube” ou acrescentarmos com entusiasmo, que também gostaríamos de experimentar.

E não deixa de ser curioso notar que são aqueles que tanto se têm empenhado em destruir a família tradicional, em facilitar o divórcio, legalizar o aborto, a eutanásia, etc., isto é em sabotar as regras e implicações do casamento entre dois seres diferentes e normais, que agora se empenham tanto no casamento homossexual…

O que esta gente quer é ter público reconhecimento dos maus caminhos que trilha e tornar boa e respeitável algo que objectivamente não o é. E não venham dizer que ninguém tem nada com isso. Toda a gente tem a ver com isso. Um cidadão que urina na via pública não deve ser apenas um caso de polícia, merece censura social…

Ninguém defende que se maltratem os portadores deste desvio, doença ou o que se lhe queria chamar – normalidade é que não pode ser. Agora temos que nos precaver da “ditadura” de minorias e da imposição de comportamentos.

De facto o casamento de homos, lésbicas, transsexuais, etc, abre as portas de uma comporta, de consequências imprevisíveis, o que irá alargar exponencialmente as barbaridades já existentes, como lobbies gay; discotecas para gays, bairros (guetos?) para gays, festivais de filme gay, idem para literatura, exibição de agressividade gay (vide culto do culturismo e exibição pública atemorizadora); predominância em profissões ou empresas, etc., é o que já se vê por aí.

E o aí, internacionalizou-se. Podem por isso antever o que nos poderá bater à porta: pedofilia q.b.; uma mulher casada com um cavalo; poligamia masculina e feminina; Ansião com a sua corte de eunucos; incesto legalizado e por aí fora. A perversão da mente humana não tem limites…

Deixámos para o fim a delicada questão da adopção de crianças e todo o género de experiências da bio genética, que é o corolário lógico deste tipo de união (e não devia passar disso): tal consideramos simplesmente como um crime contra a humanidade.

Que ninguém se atreva a dizer que este vendaval de imoralidade é inevitável ou irreversível. Inevitável é a gente morrer e mesmo assim só para aqueles que não acreditam na reincarnação ou numa qualquer forma de ressurreição.

Agora experimentem continuar confortavelmente sentados no vosso sofá a ver o tempo passar, sem se quererem incomodar com nada. Um dia acordam e… a coisa passou a obrigatória!

O PR E O “CASAMENTO” DOS HOMOSSEXUAIS

16/5/2010

O Presidente Cavaco Silva que promulgou o casamento Gay
Um ser humano é normalmente confrontado com três coisas: aquilo que ele pensa; aquilo que ele diz e aquilo que ele faz.

Raramente as três estão em sintonia.

O Prof. Cavaco Silva (CS) ao promulgar a péssima lei do casamento desta rapaziada está a ser um bom exemplo do que atrás se disse.

Cavaco tem que olhar para o problema como homem, como político e como PR.

Como homem tem que atender às suas convicções íntimas, à sua consciência, ao seu ser como um todo; como político tem que atender ao que acredita em termos de ideologia política; como PR tem que defender a soberania, a integridade territorial e a segurança das populações, nos termos em que a Constituição prescreve e ... entender a Nação.

Se vetasse a imoralidade dos casamentos entre géneros idênticos e o seu fundo anti-natura, CS estaria coerente com estes pressupostos; ao promulgar a lei o PR pensou uma coisa, disse outra assim assim (para não se expor muito) e fez o que não queria.

As razões que alegou são medíocres: alegar que há outras coisas mais importantes para tratar (uma subjectividade), como a economia e as finanças do que atender a este problema de âmbito social e dos costumes, já se esgotara do anterior – o que não foi atendido pelas forças partidárias que votaram favoravelmente o diploma; além disso não se entende como uma coisa possa contender com a outra. O que pensará CS do folhetim PT/TVI, etc?...

Invocar que de nada servia opor o seu veto já que o diploma voltaria ao parlamento e seria, certamente, aprovado e ele o teria que promulgar numa semana é ainda mais grave. Mostra que o PR é um tecnocrata sem sentimentos, um pragmático sem ideais. Pior, defraudou a expectativa da maioria do país que não se revê nesta lei (não por acaso, não se quis fazer um referendo!), porque S. Exª não se quis maçar.

Será que anda tão obcecado com as finanças e a economia, que ainda não percebeu que a razão principal pela qual chegámos a este ponto são sobretudo razões de foro moral e criminal? Será que até ao fim dos seus dias não vai entender que a sacrossanta economia não é um fim em si mesma e que tem que derivar de uma política, sendo apenas instrumento de uma estratégia? e que estas não existem...).

E que as finanças, devem funcionar como uma boa dona de casa administra o seu lar, e que o dinheiro deve servir para sustentar a economia e ter preocupações sociais e não para engordar banqueiros e capitalistas agiotas?

CS andou mal, muito mal. E até anda mal naquilo que poderá vir a ter custos políticos de monta: isto é, por este gesto não vai ganhar o apoio, muito menos a amizade de quem não vota nele; ao passo que vai alienar muitos dos que nele se reviam. E espero que não queria estar de bem com Deus e com o diabo...

E este gesto ainda vai ter outras consequências: vai abrir campo e encorajar mais desvarios que visam objectivamente a subversão da sociedade (é isto que está em causa e não a “tolerância”) e vai pôr algum travão em quem poderia querer lutar para inverter o descalabro. Não representa assim uma invocada “responsabilidade” política, mas sim uma hipócrisia politica.

Abomino os termos “direita” e “esquerda”, que são estrangeirados, dividem a sociedade em vez de a unir e deviam estar ultrapassados em termos políticos. Mas tenho que reconhecer que quem se assume e pratica os valores da chamada esquerda é no campo das atitudes e da defesa dos seus ideais, muito mais coerente do que os da chamada “direita”.

Alguém imaginaria que um PR assumidamente de esquerda (não estou a pensar em Mário Soares…), fizesse aquilo que CS fez? Ou que um ateu assinasse uma lei de cariz cristão? Será que Cavaco é de esquerda, seja lá o que isso for, ou ele o entenda?

O caso deu-se e é uma tristeza.

Os actos ficam, porém, com quem os pratica.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O PAPA EM PORTUGAL

14/5/2010

O Papa Bento XVI, no Porto, dando a comunhão a um jovem português.
“Um povo que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente anunciados”.
Bento XVI, 12/5/2010

A visita de Sua Santidade o Papa Bento XVI a Portugal correu bem. Muito bem mesmo. Tudo ajudou, o tempo, a organização – tanto da Igreja como dos órgãos de soberania -, a guarda de honra, a segurança, os transportes, a pontualidade, tudo esteve a um nível excelente.

Os discursos foram enxutos, bem ditos e com substância q.b. As pequenas asneiras jornalísticas, o ridículo da distribuição de preservativos, e a gaffe da “iminência” do primeiro ministro não chegaram para beliscar o brilho da visita – embora confirmassem a apetência de José Sócrates para a truculência do debate parlamentar em detrimento do saber estar na alta roda da política e da sociedade.

A ausência de dois ex-PR civis, de qualquer cerimónia, só ilustrou a coerência laica, agnóstica e, ou, ateia dos mesmos e só favoreceu a fotografia.

Mas o que mais se deve realçar foi a civilidade da população – não se registou um único incidente – e a mobilização da Nação “Fidelíssima” que transformou em banhos de multidão todas as cerimónias efectuadas. Daqui se prova que ainda nos resta muita espiritualidade e podemos ser motivados para grandes causas – e para a “missão” – assim desponte liderança capaz para tais voos.

Uma liderança de matriz arreigadamente nacional portuguesa, que entenda que servir a Nação é mais importante do que acautelar a reforma; sirva a consciência e os interesses nacionais e não amos/entidades internacionalistas e apátridas; que tenha uma noção escatológica da vida; não adore o “Deus Mamon”; que entenda o exercício do poder como transitório, embora respeitado e digno e se apegue a ele apenas naquilo que o Dever impõe.

Por último o Papa. Mal amado pela maioria dos órgãos de comunicação que, à revelia daquilo que a Deontologia impõe, de relatarem os factos como eles são, em vez de os moldar a ideologias correntes ou a interesses de toda a ordem, têm tentado passar para a opinião pública a imagem de um Pontífice conservador, duro e arreigado a ideias ou práticas retrógradas, o Papa sai de Portugal “por cima” em todos os aspectos.

Bento XVI revelou-se assim, para quem não o conhecia, ou tinha dele uma ideia deturpada, uma pessoa afável, carinhosa, simpática, meticulosa, atenta; sabendo falar, gracejar, tocar, saudar, numa palavra, sabendo ser e estar em todas as circunstâncias.

A Igreja é intemporal e tem que veicular o reino de Deus, não as ideias dos homens.

A Igreja defende Princípios, que são imutáveis e se devem manter imutáveis perante os modismos dos tempos; não pode, nem deve, adaptar-se a conveniências de momento como defendem os adeptos do relativismo moral e outras correntes e ideologias que no fim, visam apenas a subversão da sociedade e a abolição de qualquer ordem superior do espírito.

O Papa Bento XVI acenando à multidão
Ora o Papa é o servidor número um da Igreja de Cristo e por isso deve ser o fiel garante de toda a Lei de Deus. Não se pode sair disto, sob pena de deixarmos de ter e de ser Igreja. E se no fim formos apenas 10, pois será 10 que seremos.

Esta mania infeliz – apesar de humana – de se andar constantemente a comparar Bento XVI com João Paulo II (ou com qualquer outro), tem que acabar. As personalidades são diferentes, o estilo é diferente, os desafios ou as prioridades são diferentes. Cada um é um ser individual, não tem que tentar copiar ninguém. Tem que se ser avaliado pelo que se faz, não por aquilo que outros fizeram.

E aos balanços dos pontificados – que são coisas diferentes – só podem ser feitos no fim de cada um, às vezes muitos anos depois.

Finalmente, julgo ser de realçar o “ar” como decorreu a visita. Desde o primeiro momento que houve um bom ar; um ar de alegria, de serenidade, de união, de hospitalidade, de seriedade, de comunhão. Um ar bom de verdade. Estas coisas sentem-se mais do que se explicam.

Sua Santidade ficou, certamente, satisfeito por ter visitado mais uma vez a terra de Santa Maria. E se para todos nós, pelo menos os crentes, a visita papal foi um bálsamo revigorante em tempos conturbados – os tempos são sempre conturbados… - para o Sumo Pontífice não deve ter sido menos gratificante saber que o canto mais ocidental da Europa ainda é um baluarte da Fé Cristã.

E nunca deverá olvidar que sendo a Igreja universal, uma parte grande dela, é portuguesa.

O PR E A DIGNIDADE NACIONAL

26/04/2010

Cavaco Silva e o Presidente Checo
Os símbolos nacionais representam o País e são a sua marca identitária e soberana.

Os símbolos nacionais portugueses primordiais, neste âmbito, são o hino nacional (a “Portuguesa”); a bandeira nacional (das “Quinas”) e o Presidente da República (PR), por ser o órgão máximo de representação política (devia chamar-se Presidente de Portugal e não da República, mas isso é tema para outro artigo...).

Estes símbolos, são e devem ser objecto de respeito, tanto nacional como internacionalmente. E devem fazer-se respeitar.

O PR por ser um ser humano e um político eleito, não sendo passível de desrespeito, não está acima de criticas. O Prof. Cavaco Silva (CS) por seus actos ou omissões incorreu, recentemente, no merecimento à crítica, que esperamos construtiva e pedagógica, salvo o pretensiosismo. Uma no âmbito internacional, outra em termos caseiros.

Na recente visita à República Checa o presidente anfitrião daquele país, recém “partido” – e uma espécie de prolongamento alemão – veio criticar publicamente o seu convidado (logo todos nós), relativamente ao nosso deficit, à acção de CS enquanto chefe do governo e à adesão do nosso país ao Tratado de Lisboa. E fê-lo em circunstâncias de termos e lugar, que não são conformes às regras da diplomacia e educação, em vigor entre os Estados.

O PR português ficou “firme e hirto e voltado para a frente” e aos costumes disse... nada. Ora os portugueses que o PR representa, gostam que lhes defendam os brios e não só os interesses e esperavam que o Prof CS respondesse à letra ao despautério e não se encolhesse em incompreensível mutismo e, ou, imobilidade. Do mesmo modo que gostam de ver os “Comandantes Chefes” à frente das tropas!.

Quando as conversas são privadas ficam no segredo das chancelarias e são tratadas com a descrição necessária aos negócios do Estado; quando são públicas ficam… públicas e toda agente as fica a conhecer.

Não é difícil encontrar situações criticáveis na República Checa (tirando a cerveja que é óptima!), mas nós não convidamos alguém para nossa casa para o insultarmos. Por alguma razão o exemplo de Hugo Chavez não abunda no mundo. E se o PR checo não gosta do Tratado de Lisboa não se entende porque o assinou. A mim que não gosto dele, também, nem sequer o deixaram referendar…

Estranha-se ainda que não se visse reacção de qualquer político ou força política em Portugal, sobre o sucedido.

Na frente interna um caso houve em que o mutismo e a imobilidade do PR, andou mal. Muito mal.

Quero referir-me ao vergonhoso hastear de bandeiras espanholas em Valência, a propósito de um incidente menor, relativo a intendência de saúde pública.

Nenhuma razão existe que pudesse levar ao hastear de bandeiras de um país independente do nosso – que ainda por cima há mais de 800 anos nos anda a tentar absorver. E se antigamente não passava pela cabeça de ninguém fazer isto, porque a censura social o desmotivaria hoje, pelos vistos, torna-se necessário criar legislação que o reprima, pois que o sucedido é uma falta de respeito pelo símbolo nacional próprio. É, até, uma falta de respeito dos que praticaram o acto, por si próprios.

Sem embargo, a lei não é omissa quando se trata de hastear bandeiras estranhas em edifícios públicos. Não temos a certeza que isso sucedeu, mas sabemos que não houve actuação policial alguma. Esperava-se que o PR tivesse, pelo menos, uma palavra de reprovação, de chamar os transviados à razão, instruir quem se mostra ignaro, enfim, algo que se visse ou ouvisse. Mas não, o PR guardou de Conrado o (im)prudente silêncio.

Também não se ouviu, em todo o espectro partidário quem tugisse sobre a irresponsabilidade alegremente veiculada aos quatro ventos, pelos “media”.

Até onde se curvarão os políticos do meu país perante a turbamulta? A “ditadura” do voto e a “escravatura” do politicamente correcto, pesa-lhes assim tanto na coluna vertebral? Até que ponto deixarão de se dar ao respeito na bajulação das multidões?

Este ponto é crucial: é que ninguém pode respeitar quem não se dá ao respeito.

O PR E O “ISTO ESTÁ CADA VEZ PIOR”!...

03/01/2010

É a frase que domina a maioria das conversas, mesmo as de circunstância, com excepção do pessoal mais novo, que ainda gosta de falar de outras coisas. A frase com a sua crítica implicita ultrapassou, há muito, as normais banalidades sobre as condições meteorológicas.

A situação não é nova, estamos em crer, até, que é de sempre. Tem a ver com a natureza humana. Já ouvíamos coisas do género no tempo de Salazar, idem para Marcello Caetano, depois no PREC – onde entrámos no surreal – e desde então até hoje e sempre a piorar.

Nem as pessoas que estão junto à área do Poder – as principais responsáveis – escapam à mania: elas também acham que “isto” está cada vez pior! Obviamente temperam a coisa com o aconchego da sua conta bancária e vingam-se do stress, com uma escapadela a uma estância de neve, ou a um paraíso tropical.

Parte-se do princípio – é como um segredo de família! – que quando se referem a “isto”, querem dizer Portugal. Por acaso o seu, nosso, País.

Veio agora S. Exª o PR, na sua mensagem de Ano Novo afirmar, com veemência, que “isto” está à beira de uma explosão social.

Não parece que assim seja (por enquanto…). E não é pelo facto de estarmos na União Europeia (UE) como muitos analistas referem, com o Dr. Mário, diz hoje uma coisa e amanhã outra, Soares, à cabeça. Uma explosão social, um golpe de estado ou qualquer outra manifestação político/social quando tiver que acontecer, acontece quando a situação estiver madura para tal. O Filipe IV, ou o Junot, que o digam.

A mim parece-me que existem quatro razões principais para que ainda não entrássemos em violência: o novo regime não se tem mostrado tão jacobino como é de facto, e não tem hostilizado a Igreja. Começou a quebrar esta regra, pelas minhas contas, há uns três anos a esta parte. A segunda razão prende-se com o facto do país não ter mergulhado numa crise grave internacional, como aconteceu após a proclamação da República, com a I Grande Guerra.

Depois as Forças Armadas ainda não recuperaram do 25 de Abril, de onde saíram muito debilitadas e têm sofrido, desde então, um continuado desgaste e perda de influencia. Finalmente, e mais importante, a CEE, meteu no país desde 1986, cerca de dois milhões de contos/dia, o que tem dado para todos os desatinos. Além disto a gravidade da situação vivida no PREC ainda está viva na mente da maioria da população. O dilúvio de informação, desinformação e condicionalismo psicológico provocado pela explosão mediática, tem feito o resto.

O país tem vivido à “grande e à francesa” com o pequeno pormenor de que gasta o que não é seu e, ou, não produz. Esta irresponsabilidade colectiva vai ser paga com língua de palmo. Mas ainda não chegámos lá.

O que acontece é que quem se habituou a ir de férias a Cancun, pagando a pronto ou a cartão de crédito – outro artefacto que vai prolongando alegremente o desvario – não vai explodir socialmente. Nem se importa – pelos vistos - com quem à sua volta roube, mas faça! Por outro lado, não há ruptura de abastecimentos, pelo contrário, entra-se num supermercado e há 300.000 linhas de artigos à escolha. Para os casos mais desesperados, não têm faltado subsídios.

Ora a questão é esta, por mais que isso custe a admitir às santas almas com as quais nos cruzamos diariamente: a esmagadora maioria das pessoas não quer saber de princípios, interessa-se por conveniências. E a meia dúzia, mesmo que seja alargada, que pugna pelas virtudes, é apenas a excepção que confirma a regra.

Por isso Sr. Dr. Cavaco Silva não haverá ainda explosão social, a não ser casos pontuais devidamente industriados por partido(s) e sindicato(s), para fins políticos. Todos nós sabemos o que isto quer dizer e a quem nos referimos.

De qualquer modo o que é que os cidadãos podem fazer? Escrever artigos? É para o lado para onde os responsáveis dormem melhor! Ir para a rua manifestar-se (quem consegue e quer…)? Os professores, dizem, puseram 200.000 pessoas na rua e isso não resultou em coisa nenhuma! Denunciar escândalos? Saem às dezenas nos “media”, por semana. No passa nada! A justiça está metida numa camisa de forças … As pessoas ainda estão numa de sobreviver e ver se é a do lado que faz alguma coisa.

A situação verdadeiramente preocupante é a do desemprego. Mas tem muitas almofadas: os imigrantes estão a abandonar o país; os portugueses passaram a emigrar em números preocupantes, novamente; existe o subsídio de desemprego; muitos trabalham de ambos os lados da fronteira, etc.

A questão agora é esta: irá a situação ser corrigida ou irá agravar-se? Nisto o PR, foi omisso.

Na minha perspectiva a situação vai piorar. Sobretudo porque o sistema político em que vivemos vai tornar o país ingovernável. O sistema está cheio de erros, mas é incapaz de se reformar. Como se fez uma lavagem ao cerebro das pessoas, afirmando que ele é o melhor e é democrático, não há maneira de o deitar abaixo. Vai ter que implodir. Como, aliás, implodiu o de 1820, o de 1834, o de 1851 e o de 1910. Não se aprende mesmo nada.

Principal causa: a ditadura dos partidos e o péssimo comportamento da maioria dos políticos. Não se conseguindo reformar isto não se conseguirá nada mais. E é mesmo duvidoso que mesmo havendo fortes pressões exteriores para pôr ordem na casa, o sistema permita que algo de útil possa ser feito: vai continuar-se a recorrer a empréstimos externos e a castigar o contribuinte com impostos (caminho ,aliàs, que os vencedores do 28 de Maio também queriam seguir,até que...).

Existem, por cálculo grosseiro, umas 200.000 famílias que gravitam na área do poder e se têm locopletado com a esmagadora maioria da riqueza existente no país. Não parece crível que queiram abdicar dos seus proventos. A bem.

Por isso Sr. Presidente, pode esperar que lá mais para a frente possa haver, não uma, mas várias explosões sociais. Mas só quando uma fatia alargada de portugueses começarem a viver realmente mal e outros tantos estiverem com a corda na garganta. Pequenos grupos começarão,então, a conspirar a sério, deixando de haver apenas os almoços e tertúlias de bota abaixo (que os há por todo o lado) e as conversas de circunstância onde se diz por norma “isto está cada vez pior”. Isto são coisas de treinadores de bancada e não levam a nada.

Depois surgirão “capacidades”, alguns das quais escaparão ao controle das polícias e informadores. Ficará tudo pendente de um rastilho, que surgirá quando menos se espera.

E lá passaremos então, por mais um mau bocado, de consequências imprevisíveis.

Aprende-se mesmo pouco em Portugal.